domingo, 5 de agosto de 2012

TEXTO SOBRE VOCAÇÕES



O ASSUNTO É VOCAÇÃO
BATISMO – FONTE DE TODA VOCAÇÃO
O significado de “vocação” brota do batismo. É a base para compreendermos o sentido das vocações e dos ministérios na Igreja. “A partir do batismo, todos somos chamados à santidade, à fé e ao seguimento de Jesus. Todas as outras vocações nascem da vocação batismal”. O batismo é a base de todos os ministérios.
Somos batizados em nome da Santíssima Trindade. Deus é a fonte da vocação. Tudo é dom e graça de Deus. Deus Pai nos chama para a vida e para a dignidade de filhos e filhas de Deus. O filho Jesus, enviado do Pai ao mundo, é nosso Salvador. Ele chama os discípulos, os instrui e os envia em missão. Hoje, ele continua chamando, uns para o ministério ordenado, outros para a vida religiosa, outros para a missão como leigos na Igreja e no mundo, como “sal e luz”. É o Espírito Santo que age, ilumina, anima e conduz a missão de todos os vacacionados.

Cada pessoa batizada tem a responsabilidade de viver bem o chamado, mas também de contribuir para que os outros tenham condições de responder ao chamado de Deus para seguir Jesus Cristo e servir aos irmãos

A VOCAÇÃO É AMAR
 Jesus nos dá talentos, qualidades. Cada um tem um talento próprio e todo mundo tem qualidades.
Faça uma lista de qualidades que você tem e que poderia colocar a serviço dos outros:
Os talentos (qualidades) não podem ser enterrados.
É isso mesmo: os talentos devem ser utilizados para ajudar as pessoas, fazendo com que o mundo seja mais feliz.
É muito sério quando não queremos partilhar nossos dons. Veja o que Jesus disse a esse respeito: "Servo mau e preguiçoso... Jogai-o nas trevas onde haverá choro e ranger de dentes..."(Mt 25,26-30).Se Jesus, que amava tanto as pessoas disse isso, é porque a questão dos talentos é muito importante.
A pessoa humana traz dentro de si as marcas do amor. Fomos criados por amor e com a missão de amar. Foi Deus quem nos amou por primeiro. Por amor enviou seu filho Jesus ao mundo para ensinar o caminho do amor, da justiça, do perdão, da vida e da misericórdia a toda humanidade. Viver uma vocação é viver o amor. Quem é egoísta, auto-suficiente, fechado em si mesmo, ganancioso, jamais vai viver uma vocação.
A primeira característica de uma vocação é a gratuidade, a entrega de si sem esperar recompensa, a doação de sua vida sem esperar elogios e reconhecimento. Isto vale para todas as vocações, serviços e ministérios na Igreja, quer ordenado, quer leigos. “Sem o amor não é possível pensar em vocações verdadeiras”.
Quem ama manifesta os sinais de amor. O primeiro sinal de amor é com Deus, fonte e princípio de toda vocação. O(a) vocacionado(a) está em continua união com Deus através da oração, da leitura da Bíblia, da participação nos sacramentos, na caridade, no perdão, na acolhida. Mas o amor a Deus nos leva ao amor aos irmãos especialmente, os mais excluídos e necessitados.
VOCAÇÃO COMO SERVIÇO
Somos povo de Deus, povo de servidores. A vocação está na dimensão do serviço. Sem esta atitude a vocação torna-se um “poder ou um privilégio”, distante da vida e do povo.
Não querer partilhar meus dons e pô-los a serviço, é o mesmo que não querer ocupar meu lugar de tijolo na construção que Deus projetou para nós.
Não se esqueça que você é muito importante, mas que as pessoas que estão ao seu lado também o são. Por isso, devemos respeitar e valorizar a cada um com seus dons próprios.
Nossa vida é uma caminhada:
Desde o meu nascimento até a morte, estou a caminho: para Deus e para os outros.
Não estou parado e não posso parar.Cruzar os braços, parar significa morrer.
A vida é dinâmica, é movimento, é crescimento, é caminhada.Deus me chamou à vida e, portanto, me chamou a percorrer um caminho.
Na catequese é importante insistir que toda pessoa precisa olhar para a sua decisão vocacional “como um serviço a Deus, a Igreja e aos irmãos e não como uma ascensão social ou busca de uma posição privilegiada na Igreja ou na sociedade”.
Qual a finalidade (para que) da vocação?
             
No centro da vocação está a MISSÃO. E no centro da Missão não está a própria pessoa do chamado, porém o povo a quem se destina ou é enviado.
A finalidade da vocação-missão não está fundamentalmente na linha do fazer mas na linha do ser: sou padre, sou leigo, sou religioso(a), sou profeta, sou missionário...

AS VOCAÇÕES HOJE:

Atualmente se diz que em uma mesma pessoa há três dimensões da vocação:
dimensão humana - dimensão cristã - dimensão específica
Não são três degraus, que se colocam, um após o outro: são três aspectos intimamente ligados entre si.
Quando um desses aspectos cresce e se desenvolve, automaticamente os outros também deverão crescer.
Cada um de nós é: Escolhido – Convidado – Chamado por Deus, para possuir, livremente todos estes aspectos da vocação, que marcarão profundamen­te nossa vida.

VOCAÇÃO HUMANA

Na Bíblia o homem é chamado para:  Ser pessoa - Ter união com Deus - Dialogar com Deus.       
Mas o homem não se realiza sozinho, pois, o homem é essencialmente social. Nesse esforço conjunto, chamado de SOCIEDADE, é importante o trabalho exercido pelo homem, para colocar a natureza a serviço dos planos humanos.
Esta é a vocação natural do homem!    Vocação na Igreja.
 Vocação é chamado. Mas, quem é o sujeito da vocação? Aquele que chama: Iahweh, Deus, o Senhor.
É Deus quem chama e envia. A iniciati­va é de Deus.
Quem é o objeto da vocação? A pessoa humana concreta. Ela que é chamada. Na concretude da pessoa Deus leva em conta o nome, família, idade, situação histórica... circunstâncias próprias de cada um.
A vocação afeta a pessoa no mais profundo do seu íntimo: "Deixei-me seduzir..."
Não são as características pessoais de cada um que determinam a vocação. Pelo contrário, aparece bem destacada a incapacidade radical (ontológica) do homem: Não sei falar, sou apenas uma criança, não conheço varão, envia outro...

A atitude fundamental da pessoa chamada-enviada só consiste na aceitação alegre e agradecida do envio: "Eis-me aqui" (Magnificat).

O chamamento de Deus se faz ouvir ao homem através de várias mediações
- o primeiro mediador é Jesus.
- como sinal da mediação de Jesus, aparece o Povo de Deus, a comunidade, a Igreja.

1 - VOCAÇÃO LAICAL:

É a vocação de todo batizado.
Sua origem está nos sacramentos do Batismo e da Crisma.
Sua missão é formar comunidade,  transformar o mundo e melhorar a qualidade de vida das pessoas, assumindo uma profissão específica.
São os portadores do amor de Jesus Cristo no meio da família e da sociedade.
O fiel cristão leigo pode ser solteiro, casado ou consagrado no meio do mundo.
Casar ou ficar solteiro é uma opção de vida.
Existe, ainda, a consagração a Deus no meio do mundo.
Essa consagração pode ser individual e espontânea ou num Instituto Secular.
Existem no Brasil muitos Institutos Seculares masculinos e femininos. Essa vocação é uma forma mais livre de se consagrar a Deus, exercendo uma profissão específica.

2 - VOCAÇÃO RELIGIOSA:                                                        

Essa vocação é assumida por pessoas que se sentiram chamadas por Deus a doarem suas vidas por uma causa.
Trata-se da consagração a Deus assumindo os votos de pobreza, castidade e obediência, ingressando numa Congregação ou Ordem Religiosa.
Os religiosos e religiosas são os sinais visíveis do amor de Jesus Cristo pela sua Igreja e pelo mundo.
As Congregações masculinas podem ser apostólicas e contemplativas.
As apostólicas estão inseridas nas atividades da Igreja, no meio da sociedade e do mundo. Atuam junto às paróquias, escolas, doentes, crianças, jovens, migrantes, pobres...
As contemplativas reproduzem a dimensão de Cristo “orante”. São as pessoas chamadas a viverem nos mosteiros nos mais variados estilos.
A maioria das congregações tem padres e irmãos ou freis consagrados.
Algumas congregações têm exclusivamente irmãos.
As Congregações femininas também podem ser ativas ou contemplativas.
As religiosas se consagram a Deus e são chamadas de Irmãs. Juntamente com os votos de castidade, obediência e pobreza, as irmãs dedicam suas vidas ao carisma a que se sentiram chamadas.
A Igreja Católica possui também muitos Institutos de Vida Apostólica.

3 - VOCAÇÃO SACERDOTAL
Jesus Cristo continua chamando pessoas para darem continuidade à sua obra de amor, a construção do reino de Deus.
A vocação sacerdotal é um dom de Deus para a Igreja e para o mundo.
O diácono, o padre e o bispo recebem da Igreja o “sacramento da ordem”.
Um jovem para ser padre deve ingressar num seminário e estudar, a partir do segundo grau, as faculdades de filosofia e teologia.
A vocação ao sacerdócio não é:
- Um sentimento: costuma-se dizer ´eu sinto a vocação´. Na verdade a vocação não se sente. É, antes, uma certeza interior que nasce da graça de Deus que me toca a alma e que me pede uma resposta livre. Caso Deus chame, a certeza irá crescendo na medida em que a sua resposta for mais generosa.
- Um destino irrevogável, iniludível: Muitos acreditam que quem tem a vocação vai porque vai. Não! A vocação é um mistério de amor e o amor é livre. Se eu não respondo com generosidade, o chamado de Deus fica frustrado.
- Um refúgio para quem tem medo da vida.
- Uma carreira como qualquer outra. Não! É uma história de amor.

4 - A VOCAÇÃO DO CATEQUISTA
O catequista é chamado a ser testemunha de Jesus Cristo. Testemunhar não significa discursar sobre, mas viver intensamente o Evangelho configurando-se Àquele que primeiro nos amou e nos escolheu: “Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi” (Jo 15, 16). Não se pode anunciar aquilo que ainda não se experimentou. O catequista precisa ter essa consciência de que a missão não é mérito seu, mas lhe foi confiada. Não se trata de realização pessoal, mas algo muito maior, ou seja, o catequista é um eleito de Deus para exercer esta vocação específica no seio da Igreja. Vocação esta que não pode ser vivida fora do contexto do amor.
Infelizmente existem muitos catequistas que estão sempre reclamando de tudo e de todos, principalmente de seus próprios catequizandos, “ninguém quer saber de nada...”. Vivem dando ultimatos às crianças e adolescentes: “se vocês não fizerem vocês vão vê...”. Com freqüência ameaçam abandonar a pastoral, “só vou ficar mais este ano, porque já não agüento mais...” e por aí vai. Não são felizes! O catequista não pode ser alguém infeliz.
Na Carta aos Gálatas encontramos o resumo de como deve ser a vida do catequista: “Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim.” (Gl 2,20). Os catequizandos precisam enxergar isso nos seus catequistas, através de suas ações e não apenas de suas palavras. O catequista precisa deixar-se seduzir a cada dia por Deus e envolver-se por seu amor infinito, ao ponto de já não viver por si mesmo, mas por Cristo.
Desta forma, encarnando o Evangelho em sua vida, o catequista conseguirá atrair os seus catequizandos para Cristo, numa adesão incondicional ao projeto de Jesus. E sua alegria será infinita, porque sabe que apesar das suas limitações Deus continua agindo no mundo por meio dele, oferecendo sempre uma nova oportunidade à humanidade.
De fato, é esse amor que nos impulsiona na missão a nós foi confiada. O catequista, deve ser um especialista no amor, porque é alguém que teve um encontro pessoal com Jesus Cristo e é comprometido com o seu projeto de construção e edificação do Reino.  
Eis, portanto, a missão do catequista: anunciar com palavras e, sobretudo, ações, o amor infinito de Deus.

FELIZ DIA DO CATEQUISTA!

Um comentário:

  1. excelente texto, muito bem elaborado, fica fácil de orientar as crianças e até mesmo os leigos adultos

    ResponderExcluir